Notas para uma abordagem sociológica das fontes jornalísticas
I. Notas introdutórias
1. Crítica das concepções naturalistas das fontes
2. A informação como recurso material e simbólico, cujo fluxo é objecto de uma luta pelo respectivo controlo.
3. Tal luta encontra-se no âmago da relação entre as fontes, os jornalistas e as organizações jornalísticas. (Manning, 2001: x).
4. Desenvolvimento de um trabalho comunicacional realizado por actores sociais não-jornalísticos que procuram influenciar a agenda e o conteúdo jornalísticos
5. Tais actores sociais configuram uma esfera de acção autónoma, institucionalizada e profissionalizada.
6. O surgimento dos profissionais das fontes constitui o reverso e uma resposta à afirmação do jornalismo ao longo do século XX. (McNair, 1998: 143-144)
II. Emergência e transformações do espaço público
1. Democracias vivas, livres e saudáveis: diversidade de grupos, interesses, perspectivas podem aceder ao espaço público e fazer circular interpretações diversificadas nomeadamente através dos media;
2. Os media jornalísticos são um instrumento fundamental no fluxo de ideias e informações, que servem de base às escolhas livres das propostas em presença;
3. Em que medida todos, independentemente do seu poder e estatuto:
- dispõem de idênticas possibilidades e vantagens no acesso aos media?
- vêem os respectivos argumentos e perspectivas adequadamente acolhidos e retratados?
- alargamento do acesso e democratização da comunicação.
4. Apesar do potencial dos mass media para mobilizar e envolver as audiências na vida e no debate públicos, isso raramente é conseguido. Motivo: forças que minam a vitalidade e a saúde da esfera pública:
- ao nível do discurso político: valorização da imagem, do sound bite, em detrimento da argumentação e do debate de ideias;
- estratificação do acesso à esfera pública, em função do género, da etnia, do NSE;
- crescente fragmentação do espaço público e “pluralização das esferas púbicas”, que a multiplicação de canais TV e de media temáticos só agrava; novos movimentos sociais mais vulneráveis à procura do sensacionalismo.
III. O espaço público, as fontes e os definidores primários
1. Contributo de Stuart Hall (1978): os que se encontram em situação de domínio e de poder beneficiam de vantagens e privilégios no acesso aos media;
2. Representantes das instituições de poder (Departamentos oficiais, líderes de partidos, instituições ligadas à aplicação da lei e à segurança, lobbies diversos...) ocupam o top da “hierarquia de credibilidade”: porque mais próximos de quem sabe e da informação mais rigorosa e interessante;
3. A maior credibilidade atribuída pelos jornalistas deve-se a:
- instituições poderosas, logo: mais propensas a serem notícia;
- legitimidade decorrente do estatuto de “representantes”;
- vantagem de algumas destas fontes: serem “desinteressadas”, “objectivas”
4. Essa posição articula-se com as rotinas dos jornalistas e os procedimentos tidos como mais válidos entre os pares.
5. Consequência: “marcação” e influência (não necessariamente deliberada ou conspiracionista) no jornalismo, a três níveis:
- quadros interpretativos;
- fixação das agendas;
- definição do que é notícia
6. Notas críticas (Schlesinger, 1990): a) Existe, apesar de tudo, margem para grupos secundários e marginais; b) há contradições entre definidores primários; c) a influência não é unidireccional: há interacções, trocas, jogos; d) proposta muito “atemporal”: novos definidores primários podem emergir.

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