O debate sobre o artigo "O privilégio de ser estudante" animou-se em vários blogs da turma, agora que a pressão dos testes abrandou e que, como diz com humor a Jessi, «...Entramos (...) no período de férias até Maio» (sensivelmente).
Eis alguns excertos que foram publicados entre ontem e hoje:
"O estudante é caracterizado [no texto publicado no DN] pela falta de interesse e motivação e pela "arrogância, muitas vezes confundida com autoconfiança". Não posso concordar menos. Acredito que nos dias que correm os alunos estejam mais exigentes, por viverem num mundo em que o constante movimento, a inovação e a tecnologia os tenham feito crescer num espaço que se exige motivador, dinâmico e cativante. Mas que tem isto de mal?
Lembro-me de ver alguns professores estagiários, que me deram aulas no ensino secundário, a preparar com muito afinco as suas aulas, na tentativa de as tornar as mais ansiadas pelos alunos. Apresentavam cartolinas coloridas, contavam histórias, faziam-nos rir, ensinavam-nos coisas que nunca tínhamos ouvido e mantinham-nos ali, quase sem vontade de sair para o intervalo. No final, sabiam bem que tinham feito a mensagem passar, que enquanto ficávamos ali presos ao mundo que eles criavam, também ficávamos presos à necessidade de aprender mais sobre as coisas, de compreender melhor as matérias e, sobretudo, presos à vontade de ter mais aulas daquelas. Não estávamos ali "entretidos", como diz Fátima Barros. Estávamos fascinados.
Não me posso queixar de nenhum dos ciclos de ensino por que já passei, mas tenho de confessar que o choque de entrar num mundo tão diferente como o do ensino superior não foi fácil. As aulas impessoais, os grandes anfiteatros, as turmas de 70 alunos, as disciplinas tão estranhas. Não me atrevo a generalizar, como faz a autora do texto do DN. Muitos são os professores que se interessam pelo que estamos ali a fazer, pelo que procuramos, pelo que queremos ser, e muitas são as disciplinas que nos dão vontade de estar lá a aprender mais. Mas não raros são os casos em que o desinteresse e a falta de motivação partem exactamente de quem tem o conhecimento e devia estar ali pelo fascínio de o transmitir: os professores. "
Sara Oliveira, in blog Pergaminho
"Na Universidade é esperado que sejamos críticos, criativos e "pseudo-originais", que pensemos por nós próprios, que puxemos por nossas cabeças, uma vez que tivemos "tempo de sobra" para assimilar todo o conhecimento que nos foi fornecido. E por isso, habituados que estamos nesta «Cultura de Facilitsmo», sentimo-nos indignados quando nos pedem que sejamos "ICE - Intensos, Concentrados e Entusiastas".Jessi, in blog GiJeJoLi
"Os miúdos nos ciclos e nos liceus continuam a queixar-se do mesmo (queixas que já eu fazia) - «as matérias são muito chatas, as aulas uma seca...», «Mas para que raio vou precisar disto quando for trabalhar?», ... - a aprendizagem continua a ser demasiado e maçadoramente teórica, sem correspondência dinâmica à realidade.
Hoje a juventude - denominada de fast-food - vive conectada com o exterior de forma ainda mais umbilical que as suas anteriores gerações, e essa tendência segue para a sua agudização na pessoa das futuras. Está-se mesmo a depreender daqui uma ânsia a responder.
Que não se insinue que os estudantes vendem a sua atenção nas aulas com um pouco de malabarismo enquanto se tenta injectar neles alguns conceitos bem teóricos. Nada mais errado. Se a sociedade nos molda para a exigência ela é primeiramente direccionada por nós às fontes de onde bebemos.
O ensino não pode estagnar nos seus métodos, tem que acompanhar as evoluções e transformações tecnológicas, sociais e, principalmente, culturais."
Flávia Peixoto, in blog Sala de Jornalismo

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