O Jornalismo Digital, blog da Dra Elisabete Barbosa, ainda recentemente assinalou os seus dez mil visitantes. Pois por estes dias completa um ano de vida. Já pelo valor do sítio, já pelo que ela directa e indirectamente nos ensinou da "arte de blogar", merece muitos parabens.
Aula de Jornalismo
Weblog das turmas de Jornalismo da Universidade do Minho.
quarta-feira, fevereiro 26, 2003
Já tiveram ocasião de visitar o Fórum Universdade do Minho? Os nossos weblogs estão lá em grande destaque, esta semana. A iniciativa é Artur Azevedo.
Voltando à abordagem do agenda-setting, vejamos o que diz, no DN de hoje, o jornalista António José Teixeira:
"Durão Barroso terá garantido a Ferro Rodrigues que a maioria não lhe está a mover uma perseguição pessoal. Porventura política. A comissão de inquérito às obras do metro foi a resposta da maioria ao cerco a Paulo Portas e à ministra da Justiça. Serviu para tentar crucificar o líder do PS. O mesmo aconteceu na interpelação socialista sobre política económica. Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite visaram-no individualmente."
Antes de mais: trata-se de uma opinião. Porém, incorpora uma pista de estudo que aqui fica registada, para vir, eventualmente a ser retomada por alguém.
terça-feira, fevereiro 25, 2003
Pela sua relevância como documento de estudo, a retomar oportunamente, no âmbito da nossa disciplina, deixo aqui cópia da peça da Provedora do Leitor do Diário de Notícias(edição de 24.2.2003):
"O papel do provedor
Estrela Serrano
A leitora Maria Adelina Pinto pergunta à provedora qual é «papel do provedor dos leitores num jornal». Afirmando-se «leiga nas questões do jornalismo», interroga-se sobre «os critérios que levam o provedor a eleger um tema e não outro». Antes de tentar responder, é útil trazer a público alguns pontos do estatuto do provedor dos leitores do DN, os quais ajudarão a compreender melhor o seu papel.
A principal missão do provedor consiste em «atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações». O provedor exerce, ainda, «uma crítica do funcionamento e do discurso dos media». A sua intervenção processa-se «sempre a posteriori» e antes de se pronunciar sobre textos assinados por jornalistas, deve solicitar «o esclarecimento do respectivo autor ou, na ausência deste, do editor da secção». O provedor do DN tem um contrato de três anos, não prorrogável.
Enquadradas as funções do provedor, vejamos as questões colocadas pela leitora. Subjacente a todas está a questão da «verdade». Pretende saber «qual é a posição de um provedor» quando um leitor alerta o jornal para uma «notícia não verdadeira» e o jornal não repõe «a verdade», oferecendo «resistência» à confirmação das afirmações junto de quem as proferiu. Pergunta se não é «a veracidade das notícias que distingue um jornal de referência» e, também, qual é o papel dos leitores, nomeadamente, se «poderão constituir "uma entidade reguladora" e qual a sua margem de intervenção».
As perguntas são pertinentes, embora o seu carácter abstracto obrigue a situar as respostas num plano teórico. Sobre a questão da «verdade», é evidente que uma informação deve ser exacta e verdadeira, mesmo sabendo-se que uma notícia nunca será mais que uma parcela da verdade. Por outro lado, o dever de rectificar é o corolário do respeito pela verdade. Não há jornais e jornalistas que não cometam erros, mas os jornais sérios distinguem-se dos outros precisamente pela capacidade de assumirem e corrigirem os seus erros. Por vezes, no litígio entre um jornalista e uma fonte a quem é atribuída uma afirmação, ou intenção, em que não se revê, cada parte fica com a sua «verdade». O impasse é, quase sempre, resolvido a favor do jornalista, que detém o poder de publicação. Contudo, se a fonte considerar que foi posta em causa a sua reputação, pode invocar o direito de resposta e de rectificação, apesar de essa prerrogativa quase nunca compensar o queixoso dos danos causados, uma vez que os jornais raramente cumprem o disposto na lei sobre a publicação da resposta.
A relação com as fontes é um dos aspectos mais sensíveis e problemáticos do jornalismo. De facto, intervêm nessa relação factores que escapam à generalidade do público. A questão da «verdade» torna-se, aí, por vezes, muito relativa. Como diz um estudioso do tema, «o que é verdade hoje pode não ser verdade amanhã». Apesar de pouco abonatória para ambas as partes, esta afirmação parece apropriada quando se analisa a cobertura de actividades como as relações internacionais, a política e a justiça, (como se viu recentemente, entre nós). A provedora desconhece qual o tipo de «verdade» a que a leitora se refere, mas concorda no facto de a procura da «verdade» ser a pedra--de-toque que distingue um jornal «de referência».
Relativamente ao papel dos leitores como «entidade reguladora» de um jornal, há muito que se reconhece que o público não é parte estranha no processo informativo. Entre o público e o jornal (rádio ou televisão) existe uma relação dinâmica de mútua apropriação.
E há modelos em que o público se assume como instância de regulação, por exemplo, no caso da televisão, através de associações de telespectadores que se pronunciam periodicamente sobre programas e informação, como não é impossível que grupos de leitores se associem para analisar e criticar o seu jornal. Aliás, os jornalistas necessitam cada vez mais do apoio dos leitores, sendo essa a sua melhor «arma» na luta pela qualidade e pelo rigor da informação, mesmo que não apreciem as suas críticas e lhes recusem a publicação.
No que respeita aos critérios da provedora sobre os casos a tratar nesta coluna, eles decorrem de factores como a conformidade desses casos com as suas competências, a fluidez da resposta do jornal, relativamente às queixas apresentadas, e o interesse que os temas possam ter para a generalidade dos leitores.
Importa, contudo, reconhecer, no que respeita ao DN, que ele é, neste momento, juntamente com o JN, o único jornal generalista, de expansão nacional, a dispor de um(a) provedor(a) dos leitores, sujeitando-se à crítica sistemática do seu conteúdo.
Aparentemente, esta situação coloca-o numa posição desfavorável face a outros que, cometam ou não atropelos à ética e à deontologia profissional, passam sem reprovação pública. Trata-se, contudo, de uma leitura aparente. Porque, com ou sem provedor, os leitores têm hoje um olhar atento e crítico sobre os media, como se prova pela pertinência das questões que colocam.
BLOCO-NOTAS
ESTILOS E MÉTODOS
O papel do provedor não é igual em todos os países e meios de comunicação onde existe. Por exemplo, nem todos os provedores publicam uma coluna semanal. A maioria analisa o conteúdo noticioso do jornal, chama a atenção dos responsáveis para aspectos menos conformes com padrões éticos e profissionais, obtém explicações dos responsáveis e de outros membros da redacção e prepara respostas e comentários às queixas que lhe são apresentadas. Alguns supervisionam as correcções feitas pelo jornal, outros elaboram relatórios para os jornalistas sobre as opiniões e críticas dos leitores, outros fazem análises diárias do jornal e outros ainda reúnem- -se regularmente com grupos de leitores, em reuniões privadas, onde expõem o funcionamento e as práticas do jornal.
QUEM É O PROVEDOR?
Nem todos os provedores possuem a mesma origem e formação. A grande maioria possui experiência de jornalismo e está, ou esteve, ligada aos media. Nem todos possuem o mesmo tipo de relação com o jornal. Há os que pertencem, ou pertenceram, aos quadros – geralmente jornalistas que ocuparam posições de relevo – e que regressam após desempenharem a função de provedor. Há também os que não regressam. E há os que nunca tiveram qualquer ligação ao jornal. Há, por outro lado, diferenças na logística. Há os que trabalham nas instalações do jornal, em contacto, mais ou menos próximo com os jornalistas, e há os que trabalham fora das instalações do jornal, por exemplo, em sua casa.
PARA QUE SERVE UM PROVEDOR?
A organização que agrupa os provedores de todo o mundo – Organization of News Ombudsman (ONO) – defende que o provedor contribui para melhorar a qualidade do jornalismo; torna o jornal mais credível perante os leitores; sensibiliza os jornalistas quanto às preocupações do público; poupa o director e os editores, ao canalizar individualmente as queixas, e resolve algumas questões, evitando o recurso aos tribunais. Constitui um sinal de abertura e de transparência e, nessa medida, funciona como instrumento de promoção do jornal.
O PÚBLICO BENEFICIA?
A ONO afirma que o provedor é útil aos leitores, porque lhes dá a conhecer o processo de produção da informação que, muitas vezes, surge algo misterioso aos olhos da generalidade do público. Ao atender as queixas dos leitores, contribui para equilibrar a imagem de inacessibilidade, arrogância e indiferença que é, geralmente, atribuída aos jornalistas.
QUANDO SURGIRAM OS PROVEDORES?
O primeiro provedor data de 1809, na Suécia, e foi nomeado para atender as queixas dos cidadãos contra o Governo. Nos EUA, o primeiro provedor surgiu em 1967 para o Courier-Journal (Louisville) e o Lousville Times. No Canadá, surgiu em 1972 para o Toronto Star. No Japão, em 1922, surgiu um comité com o objectivo de receber e investigar as queixas dos leitores. Em Portugal, o Diário de Notícias foi o primeiro diário de referência a nomear um provedor dos leitores, em 1997".
segunda-feira, fevereiro 24, 2003
Notas para uma abordagem sociológica das fontes jornalísticas
I. Notas introdutórias
1. Crítica das concepções naturalistas das fontes
2. A informação como recurso material e simbólico, cujo fluxo é objecto de uma luta pelo respectivo controlo.
3. Tal luta encontra-se no âmago da relação entre as fontes, os jornalistas e as organizações jornalísticas. (Manning, 2001: x).
4. Desenvolvimento de um trabalho comunicacional realizado por actores sociais não-jornalísticos que procuram influenciar a agenda e o conteúdo jornalísticos
5. Tais actores sociais configuram uma esfera de acção autónoma, institucionalizada e profissionalizada.
6. O surgimento dos profissionais das fontes constitui o reverso e uma resposta à afirmação do jornalismo ao longo do século XX. (McNair, 1998: 143-144)
II. Emergência e transformações do espaço público
1. Democracias vivas, livres e saudáveis: diversidade de grupos, interesses, perspectivas podem aceder ao espaço público e fazer circular interpretações diversificadas nomeadamente através dos media;
2. Os media jornalísticos são um instrumento fundamental no fluxo de ideias e informações, que servem de base às escolhas livres das propostas em presença;
3. Em que medida todos, independentemente do seu poder e estatuto:
- dispõem de idênticas possibilidades e vantagens no acesso aos media?
- vêem os respectivos argumentos e perspectivas adequadamente acolhidos e retratados?
- alargamento do acesso e democratização da comunicação.
4. Apesar do potencial dos mass media para mobilizar e envolver as audiências na vida e no debate públicos, isso raramente é conseguido. Motivo: forças que minam a vitalidade e a saúde da esfera pública:
- ao nível do discurso político: valorização da imagem, do sound bite, em detrimento da argumentação e do debate de ideias;
- estratificação do acesso à esfera pública, em função do género, da etnia, do NSE;
- crescente fragmentação do espaço público e “pluralização das esferas púbicas”, que a multiplicação de canais TV e de media temáticos só agrava; novos movimentos sociais mais vulneráveis à procura do sensacionalismo.
III. O espaço público, as fontes e os definidores primários
1. Contributo de Stuart Hall (1978): os que se encontram em situação de domínio e de poder beneficiam de vantagens e privilégios no acesso aos media;
2. Representantes das instituições de poder (Departamentos oficiais, líderes de partidos, instituições ligadas à aplicação da lei e à segurança, lobbies diversos...) ocupam o top da “hierarquia de credibilidade”: porque mais próximos de quem sabe e da informação mais rigorosa e interessante;
3. A maior credibilidade atribuída pelos jornalistas deve-se a:
- instituições poderosas, logo: mais propensas a serem notícia;
- legitimidade decorrente do estatuto de “representantes”;
- vantagem de algumas destas fontes: serem “desinteressadas”, “objectivas”
4. Essa posição articula-se com as rotinas dos jornalistas e os procedimentos tidos como mais válidos entre os pares.
5. Consequência: “marcação” e influência (não necessariamente deliberada ou conspiracionista) no jornalismo, a três níveis:
- quadros interpretativos;
- fixação das agendas;
- definição do que é notícia
6. Notas críticas (Schlesinger, 1990): a) Existe, apesar de tudo, margem para grupos secundários e marginais; b) há contradições entre definidores primários; c) a influência não é unidireccional: há interacções, trocas, jogos; d) proposta muito “atemporal”: novos definidores primários podem emergir.
quinta-feira, fevereiro 20, 2003
Ainda a propósito do post anterior: A CNN, numa primeira versão (entretanto corrigida), terá suprimido cerca de 800 palavras do discurso do chefe dos inspectores, Hans Blix, na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas - precisamente aquelas em que Blix desmontava as alegadas provas apresentadas duas semanas antes no mesmo local por Colin Powell. Toda a história aqui.
terça-feira, fevereiro 18, 2003
Há um texto no jornal "The New York Times" de hoje, intitulado "Behind the Great Divide", de Paul Krugman, que não podia vir mais "a matar", relativamente ao tema da nossa primeira aula do semestre, sobre o "agenda-setting". Deixo aqui alguns trechos, recomendando, embora, a leitura integral do artigo:
"(...) Most people, though, get their news from TV — and there the difference is immense. The coverage of Saturday's antiwar rallies was a reminder of the extent to which U.S. cable news, in particular, seems to be reporting about a different planet than the one covered by foreign media.
What would someone watching cable news have seen? On Saturday, news anchors on Fox described the demonstrators in New York as "the usual protesters" or "serial protesters." (...)
Europeans, who don't see the same things on TV, are far more inclined to wonder why Iraq — rather than North Korea, or for that matter Al Qaeda — has become the focus of U.S. policy. That's why so many of them question American motives, suspecting that it's all about oil or that the administration is simply picking on a convenient enemy it knows it can defeat. They don't see opposition to an Iraq war as cowardice; they see it as courage, a matter of standing up to the bullying Bush administration. (...)
There are two possible explanations for the great trans-Atlantic media divide. One is that European media have a pervasive anti-American bias that leads them to distort the news, even in countries like the U.K. where the leaders of both major parties are pro-Bush and support an attack on Iraq. The other is that some U.S. media outlets — operating in an environment in which anyone who questions the administration's foreign policy is accused of being unpatriotic — have taken it as their assignment to sell the war, not to present a mix of information that might call the justification for war into question. So which is it? I've reported, you decide".
segunda-feira, fevereiro 17, 2003
Já o referi algures, mas volto a ele. Vale a pena ir a este site que dá pelo nome de NOMBRE FALSO. Não interessa apenas a estudantes de jornalismo.
O número de jornalistas que foi para o desemprego triplicou entre 2000 e 2002, segundo os dados divulgados pelo Público, numa peça de Elisabete Vilar hoje vinda a lume. O número dos desempregados cobre as diferentes faixas etárias. Mas, como salienta a jornalista, “diz respeito apenas aos profissionais por conta de outrém que, no ano passado, foram despedidos e requereram subsídio: não inclui aqueles cujos contratos a prazo terminaram e não foram renovados, nem as rescisões ditas amigáveis ou tão pouco os chamados falsos recibos verdes que tiveram de abandonar os seus postos de trabalho. E, afinal, são precisamente profissionais nestas últimas situações - com vínculos precários - que cada vez mais enchem as redacções”. Segundo a notícia, o Sindicato dos Jornalistas “está a ultimar um relatório sobre o desemprego no sector”, sabendo-se já que se eleva a 500 o número de jornalistas que perderam o trabalho em 2002, em primeiro lugar no sector televisivo e, a seguir, no "on-line".
sexta-feira, fevereiro 14, 2003
O número 54 da revista espanhola "Telos", relativo ao trimestre Janeiro-Março, já está online e tem como tema central os estudos sociológicos do jornalismo. Há uma série de artigos que merecem visita.
quarta-feira, fevereiro 12, 2003
O debate sobre o artigo "O privilégio de ser estudante" animou-se em vários blogs da turma, agora que a pressão dos testes abrandou e que, como diz com humor a Jessi, «...Entramos (...) no período de férias até Maio» (sensivelmente).
Eis alguns excertos que foram publicados entre ontem e hoje:
"O estudante é caracterizado [no texto publicado no DN] pela falta de interesse e motivação e pela "arrogância, muitas vezes confundida com autoconfiança". Não posso concordar menos. Acredito que nos dias que correm os alunos estejam mais exigentes, por viverem num mundo em que o constante movimento, a inovação e a tecnologia os tenham feito crescer num espaço que se exige motivador, dinâmico e cativante. Mas que tem isto de mal?
Lembro-me de ver alguns professores estagiários, que me deram aulas no ensino secundário, a preparar com muito afinco as suas aulas, na tentativa de as tornar as mais ansiadas pelos alunos. Apresentavam cartolinas coloridas, contavam histórias, faziam-nos rir, ensinavam-nos coisas que nunca tínhamos ouvido e mantinham-nos ali, quase sem vontade de sair para o intervalo. No final, sabiam bem que tinham feito a mensagem passar, que enquanto ficávamos ali presos ao mundo que eles criavam, também ficávamos presos à necessidade de aprender mais sobre as coisas, de compreender melhor as matérias e, sobretudo, presos à vontade de ter mais aulas daquelas. Não estávamos ali "entretidos", como diz Fátima Barros. Estávamos fascinados.
Não me posso queixar de nenhum dos ciclos de ensino por que já passei, mas tenho de confessar que o choque de entrar num mundo tão diferente como o do ensino superior não foi fácil. As aulas impessoais, os grandes anfiteatros, as turmas de 70 alunos, as disciplinas tão estranhas. Não me atrevo a generalizar, como faz a autora do texto do DN. Muitos são os professores que se interessam pelo que estamos ali a fazer, pelo que procuramos, pelo que queremos ser, e muitas são as disciplinas que nos dão vontade de estar lá a aprender mais. Mas não raros são os casos em que o desinteresse e a falta de motivação partem exactamente de quem tem o conhecimento e devia estar ali pelo fascínio de o transmitir: os professores. "
Sara Oliveira, in blog Pergaminho
"Na Universidade é esperado que sejamos críticos, criativos e "pseudo-originais", que pensemos por nós próprios, que puxemos por nossas cabeças, uma vez que tivemos "tempo de sobra" para assimilar todo o conhecimento que nos foi fornecido. E por isso, habituados que estamos nesta «Cultura de Facilitsmo», sentimo-nos indignados quando nos pedem que sejamos "ICE - Intensos, Concentrados e Entusiastas".Jessi, in blog GiJeJoLi
"Os miúdos nos ciclos e nos liceus continuam a queixar-se do mesmo (queixas que já eu fazia) - «as matérias são muito chatas, as aulas uma seca...», «Mas para que raio vou precisar disto quando for trabalhar?», ... - a aprendizagem continua a ser demasiado e maçadoramente teórica, sem correspondência dinâmica à realidade.
Hoje a juventude - denominada de fast-food - vive conectada com o exterior de forma ainda mais umbilical que as suas anteriores gerações, e essa tendência segue para a sua agudização na pessoa das futuras. Está-se mesmo a depreender daqui uma ânsia a responder.
Que não se insinue que os estudantes vendem a sua atenção nas aulas com um pouco de malabarismo enquanto se tenta injectar neles alguns conceitos bem teóricos. Nada mais errado. Se a sociedade nos molda para a exigência ela é primeiramente direccionada por nós às fontes de onde bebemos.
O ensino não pode estagnar nos seus métodos, tem que acompanhar as evoluções e transformações tecnológicas, sociais e, principalmente, culturais."
Flávia Peixoto, in blog Sala de Jornalismo
sábado, fevereiro 08, 2003
Um texto intitulado "O privilégio de ser estudante", publicado no DN de hoje, suscita questões interessantes sobre as relações professores-alunos, no nosso ensino universitário. O artigo, assinado por Fátima Barros (suponho que não será uma estudante), merece, a meu ver, desenvolvimentos, convocando designadamente os estudantes para o debate. Sugiro comentários argumentados nos weblogs da turma. Deixo alguns excertos, que não dispensam a leitura do texto:
"(...) Actualmente são os professores que devem empreender múltiplos esforços para tornar as aulas motivadoras e fazer com que elas agradem aos seus exigentes alunos.
Mas, infelizmente, o que estes alunos exigem não é necessariamente rigor no tratamento das matérias e conhecimentos sólidos por parte dos seus mestres. Hoje o que os alunos querem é ser entretidos e, se o professor não conseguir transformar as matérias difíceis em histórias divertidas, pode ter a certeza que não vai ter audiência.
(...) Não é por isso de espantar que uma das maiores críticas de que os professores são alvo por parte dos alunos seja a fraca capacidade de motivação. O que parece acontecer frequentemente é que quem está desmotivado para estudar são os alunos. E isto porque o jogo da concorrência pela atenção dos alunos é hoje muito desequilibrada: como pode uma aula sobre o cálculo integral concorrer com a navegação na Internet?
Há por isso que reequacionar os valores que estão em causa. É necessário que os nossos jovens compreendam que para aprender é preciso trabalho e esforço e que a educação deles continua a ser um privilégio, pois para isso são empenhados muitos recursos da sociedade. (...)"
segunda-feira, fevereiro 03, 2003
O sítio que referi na aula é o "Communication, cultural & media studies". É uma espécie de dicionário enciclopédico, consultável quer através da ordem alfabética, quer através de pesquisa por termos. A utilidade vai bastante para além das áreas do jornalismo.
