terça-feira, fevereiro 08, 2005

Jornalistas pronunciam-se sobre formação em jornalismo

A Sonda Central de Informação/Meios & Publicidade recolheu, mais uma vez, a opinião de um painel de mais de nove dezenas de directores, chefes de redacção e editores dos mais diversos media nacionais, desta vez sobre a seguinte questão:
"Pelo contacto que tem com recém-licenciados em Comunicação Social, como tem evoluído a qualidade da formação universitária dos futuros jornalistas?"
Eis as respostas:

a) Tem aumentado - 46%
b) Tem diminuído - 23%
c) Tem sido constante - 29%
d) Não sabe/não responde - 2%.

A Sonda é uma iniciativa da Central de Informação e do jornal Meios & Publicidade (em cuja direcçao se encontra a Elsa Carvalho, licenciada pelo Curso de Comunicação Social da UM) e visa auscultar mensalmente a opinião dos profissionais da comunicação social.
Dois dirigentes comentaram os resultados acima, publicados em Janeiro último: Mário Bettencourt Resendes (ex-director do DN e administrador da Lusomundo Media) e Rogério Gomes (director de O Comércio do Porto):

Mário Bettencourt Resendes, administrador da Lusomundo Media, faz uma avaliação «globalmente positiva» da evolução do nível de preparação dos recém-licenciados em Comunicação Social, motivo pelo qual não se mostrou surpreendido com o facto de a maioria dos inquiridos (46 por cento) na 5.ª edição da Sonda Central de Informação / Meios & Publicidade ter considerado que a qualidade da formação universitário neste domínio tem aumentado.
«Pela experiência que tive enquanto director do Diário de Notícias, pude aperceber-me da gradual melhoria na preparação das pessoas que entravam para a redacção, também fruto da rigorosa e exigente política de admissão de estagiários que implementámos», recorda Bettencourt Resendes. «Em termos globais, creio que a formação de base é muito maior. Antes, a entrada no mundo do jornalismo devia-se mais à apetência pela escrita do que propriamente à aptidão para a prática desta profissão. E hoje em dia nota-se uma maior preparação para as questões jornalísticas», sublinha.
(Depoimento recolhido por António Nobre, da Meios e Publicidade)

Rogério Gomes faz parte da maioria de inquiridos que defende que a qualidade da formação universitária de futuros jornalistas tem aumentado. E argumenta a resposta de duas formas: em primeiro lugar, e pelo contacto que vai tendo com algumas universidades do país, tal facto deve-se a «uma maior aproximação aos ambientes profissionais» e, em segundo lugar, à concorrência a que são sujeitos os recém-licenciados. «De facto, há hoje centenas de diplomados em Comunicação Social ou em Jornalismo a saírem das universidades. Números claramente acima da capacidade de absorção pelo mercado de trabalho, pelo menos em jornais, rádios e televisões. Isto faz com que a concorrência seja grande e a selecção mais apertada». E conclui: «Salvo casos em que factores irregulares sejam determinantes, os órgãos de comunicação social podem hoje escolher dentro de um enorme naipe de candidatos e estranho seria que não optassem pelos mais capazes».
(Depoimento recolhido e editado por Rodrigo Viana de Freitas, director da Central de Informação).