Censura?
Recapitulando:
- O Semanário Académico noticia na edição nº 15 diversas deficiências aquando da realização da latada, o que não caiu bem junto da Direcção da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). Os textos continham imprecisões que o corpo redactorial admite, «mas apenas no que se refere ao número de participantes», segundo o DN de ontem.
- Em reunião tensa entre a AAUM e a Direcção do Académico o assunto aparenta ter ficado sanado.
- Diligências por parte do semanário para um balanço da recepção ao caloiro deparam com a recusa por parte de responsáveis da AAUM.
- A AAUM envia ao Académico uma carta-aberta que o director do jornal considera insultuosa para quem faz o jornal. Publica-a parcialmente na edição de 10 de Novembro, com um comentário de resposta.
- Na semana passada a Direcção do Académico decide demitir a Direcção do Jornal, que sai acompanhada de toda a Redacção. Segundo declarações ao Diário do Minho, o presidente da AAUM diz que recebeu várias queixas de professores e alunos da academia, devido a «mentiras» publicadas pelo jornal. Por outro lado, refere que havia decisões tomadas em reuniões do Senado, Cabido de Cardeais e Reuniões Gerais de Alunos que eram publicadas sem autorização dos órgãos competentes.
- No passado dia 19, no blogue "Comunicação Social" é convocada pelos demitidos uma manifestação "contra a censura" e pela "liberdade de imprensa" para hoje.
- Os problemas não são novos, como se pode ler aqui.
Não sei se os dados estarão todos sobre a mesa. Com a informação disponível, parece-me que este caso é perfeitamente típico daquilo que se passa, por vezes, em grandes meios de comunicação. As administrações, uma vez nomeada a Direcção Editorial, não podem interferir neste domínio. É verdade que o Académico é, actualmente, um "órgão oficial" da AAUM, mas isso não quer dizer que seja "His Master's Voice". Numa academia que preza os valores da liberdade, da cidadania e da responsabilidade, seria possível encontrar uma solução que articulasse as preocupações globais da AAUM e uma linha editorial pautada por critérios jornalísticos e não propagandísticos. Mas isso implicava também que houvesse um estatuto editorial em que ficassem bem definidas as regras e os princípios pelos quais o jornal se pautaria. Se o Académico é para continuar - e a Direcção da AAUM diz que sim - e se quer continuar com a colaboração de estudantes de Comunicação Social essa definição parece-me básica, embora não suficiente.
Do ponto de vista pedagógico, é fundamental continuar a reflectir sobre estes acontecimentos e sobre a experiência que está a ser vivida.

3 Comments:
De facto, a direcção da AAUM acusa o Académico de publicar "decisões tomadas em reuniões do Senado, Cabido de Cardeais e Reuniões Gerais de Alunos que eram publicadas sem autorização dos órgãos competentes." Mas é preciso autorização para informar os estudantes de algo que supostamente têm direito a saber? Porventura as reuniões do Cabido, do Senado e as RGA's são consistórios de alguma sociedade secreta ou loja maçónica? Creio que esta acusação ridícula, por parte da direcção da AAUM, nos indica até que ponto os nossos dirigentes associativos compreendem o papel dos meios de comunicação social numa sociedade livre e democrática. E são estes os políticos de amanhã...
Só uma pequena correcção. Não foi a direcção do jornal que fez o "corte" na versão original da carta aberta à redacção, mas sim a própria direcção da AAUM depois de advertida por mim para o ridículo do que lá se encontrava escrito.
Não consigo perceber como é que alunos de jornalismo no ensino superior se podem vender e vender a sua dignidade pessoal e profissional, ao sujeitarem-se a certo tipo de "trabalhos" e "jeitos" num boletim de propaganda (quase) eleitoral, depois de saberem tudo o que se passou.
O "jornal" nº 20 já foi publicado. Deixo ao vosso critério o trabalho de selecção de erros, imprecisões e atrocidades de nível básico ao jornalismo. Para poupar esforço é só ir a www.semanarioacademico.blogspot.com que eu próprio me ocupei disso. e de maneira não muito aprofundada...
antónio larguesa
António Larguesa, obrigado pela correcção.
Enviar um comentário
<< Home