terça-feira, novembro 30, 2004

Jornalismo Digital II

Como verdadeiro blogger (defensor da partilha de conhecimento e de experiências) José Luis Orihuela (Universidade de Navarra) disponibiliza no seu e-Cuaderno indicações (muitas) sobre o tema que tratou, esta manhã, no congresso - os weblogs e os meios.
Vale a pena consultar tudo o que nos aponta e valerá a pena dispensar uns 8 minutos para visualizar a 'provocação' EPIC.

Jornalismo Digital

Decorre até ao final do dia de hoje, terça-feira, em Santiago de Compostela, o II Congresso Iberoamericano de Periodismo Digital.
Os interessados podem acompanhar o desenrolar das sessões em directo.
Aos que acreditam não haver ainda futuro determinado para o jornalismo na net deixo uma observação / provocação que foi ontem avançada por Carlos Scolari, da Universidade de Vic (Catalunha): "Hoje mesmo, com todas as limitações que existem, já não podemos falar em 'versões online' de jornais, mas antes em 'versões em papel' de publicações online".


sábado, novembro 27, 2004

O agendamento no jornalismo

Um texto importante para compreender a hipótese/teoria do agendamento (agenda-setting) é o primeiro capítulo do livro Public Opinion, de Walter Lippman (1922). O capítulo intitula-se The World Outside And The Pictures In Our Heads Todo o livro se lê com agrado e proveito. Deixo este mote:
"Looking back we can see how indirectly we know the environment in which nevertheless we live. We can see that the news of it comes to us now fast, now slowly; but that whatever we believe to be a true picture, we treat as if it were the environment itself. It is harder to remember that about the beliefs upon which we are now acting, but in respect to other peoples and other ages we flatter ourselves that it is easy to see when they were in deadly earnest about ludicrous pictures of the world."

Uma obra de referência, de resto indicda na bibliografia da disciplina é O Poder do Jornalismo - Análise e Textos da Teoria do Agendamento, de Nelson Traquina (Minerva, 2000).

quinta-feira, novembro 25, 2004

Lusa: um caso

A agência Lusa distribuiu ontem o seguinte serviço:

Media: Mota Amaral critica destruição de "reputações" com apoio entidades públicas
Coimbra, 24 Nov (Lusa) - O presidente da Assembleia da República (AR), João Bosco Mota Amaral, lamentou hoje o envolvimento de "entidades estaduais" em investigações jornalísticas que vieram a destruir a reputação de algumas figuras públicas."A cumplicidade, ao menos aparente, de entidades estaduais nesses arremedos de julgamentos em praça pública contribui para uma das maiores crises de sempre de credibilidade do Estado e das instituições democráticas", afirmou Mota Amaral.O presidente da AR intervinha na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, na sessão de encerramento das comemorações dos 10 anos da Licenciatura em Jornalismo, para a qual foi convidado pela instituição através de Mário Mesquita, um dos docentes fundadores do curso."Entrando por caminhos perigosos e exorbitando decerto as suas competências, os 'media' não só denunciam condutas censuráveis como se lançam mesmo em investigações sobre as mesmas, sem cuidar do respeito à honorabilidade, legalmente protegida, das pessoas a tal sujeitas", afirmou.Lamentando "experiências recentes de lamentáveis excessos comunicacionais", Mota Amaral recordou que "têm sido destruídas, injustamente, algumas reputações" com a alegada cumplicidade de algumas "entidades estaduais" que não especificou."O excessivo predomínio de qualquer poder social é sempre perigoso. O ideal é que se equilibrem uns aos outros como freios e contrapesos", preconizou, frisando que "o Estado democrático assenta na liberdade de imprensa", enquanto "o Estado autoritário controla os 'media' com mão de ferro". Na opinião do presidente do Parlamento, a Universidade "não deveria eximir-se a uma reflexão crítica sobre os 'media' e o exercício do poder mediático na sociedade portuguesa".Mota Amaral disse que a "plena liberdade de imprensa e de informação" é a "regra de ouro", mas defendeu a "correspondente responsabilidade pelos abusos dos violadores dos direitos de quem quer que seja, a efectivar perante os tribunais comuns, mediante processo justo e célere".CSS.Lusa/fim

No Jornal de Notícias de hoje, vem a notícia:

Reitor temia protesto e cancelou cerimóniaCoimbra Mota Amaral anulou discurso
A Universidade de Coimbra (UC) cancelou, ontem, a sessão solene de encerramento do 10º aniversário da licenciatura em Jornalismo com medo de uma manifestação de estudantes hostil ao reitor Seabra Santos. O presidente da Assembleia da República, que se preparava para discursar na referida cerimónia, acabou por nem sequer entrar no auditório da Faculdade de Letras, regressando a Lisboa sem esconder algum embaraço.Os estudantes da UC tinham ameaçado boicotar todos os actos que contassem com a presença do reitor e, mais uma vez, cumpriram. Ontem, a estratégia dos contestários à política de Seabra Santos passava por abandonar o auditório no momento da entrada do reitor, deixando Mota Amaral a falar para uma sala vazia ou quase deserta. Por outro lado, um grupo de estudantes mais radicais preparava-se para proferir algumas palavras de ordem à entrada da sala, exibir tarjas e distribuir panfletos com mensagens duras contra Seabra Santos.Mota Amaral acabou por rumar à capital, sem comentar o incidente. O reitor, por seu turno, sem esconder profundo nervosismo e vergonha, disse que aproveitou a oportunidade para sensibilizar o presidente da Assembleia da República para a necessidade de um código disciplinar capaz de "tratar como deve ser destes alunos que se portam mal".Seabra Santos diz que em causa estão "apenas meia dúzia de universitários", mas reconheceu que "tão poucos são suficientes para dar uma má imagem da instituição". Mas, como que para desculpar a incapacidade da reitoria em resolver o problema, lembrou que "também foram meia dúzia os terroristas que atiraram aviões contra o World Trade Center e, no entanto, foi o suficiente para matar milhares de pessoas, tal como aconteceu, também, na estação ferroviária de Atocha, em Madrid".Seabra Santos considera que "esta questão só se resolve quando for mudada a legislação, que é de 1932, e que, por exemplo, não permite a proibição da entrada, na universidade, dos estudantes mal comportados, indisciplinados. É uma lacuna que estamos a procurar corrigir", afirmou o reitor, que confessou ter já feito diligências nesse sentido, mormente junto da ministra da Ciência e do Ensino Superior.

Toda a história no blogue Sopa de Pedra. Muita matéria para reflectir sobre as condições em que se produz o jornalismo hoje. Pelo menos em alguns sítios ou/e em alguns momentos.

terça-feira, novembro 23, 2004

Censura?

Recapitulando:

  • O Semanário Académico noticia na edição nº 15 diversas deficiências aquando da realização da latada, o que não caiu bem junto da Direcção da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). Os textos continham imprecisões que o corpo redactorial admite, «mas apenas no que se refere ao número de participantes», segundo o DN de ontem.
  • Em reunião tensa entre a AAUM e a Direcção do Académico o assunto aparenta ter ficado sanado.
  • Diligências por parte do semanário para um balanço da recepção ao caloiro deparam com a recusa por parte de responsáveis da AAUM.
  • A AAUM envia ao Académico uma carta-aberta que o director do jornal considera insultuosa para quem faz o jornal. Publica-a parcialmente na edição de 10 de Novembro, com um comentário de resposta.
  • Na semana passada a Direcção do Académico decide demitir a Direcção do Jornal, que sai acompanhada de toda a Redacção. Segundo declarações ao Diário do Minho, o presidente da AAUM diz que recebeu várias queixas de professores e alunos da academia, devido a «mentiras» publicadas pelo jornal. Por outro lado, refere que havia decisões tomadas em reuniões do Senado, Cabido de Cardeais e Reuniões Gerais de Alunos que eram publicadas sem autorização dos órgãos competentes.
  • No passado dia 19, no blogue "Comunicação Social" é convocada pelos demitidos uma manifestação "contra a censura" e pela "liberdade de imprensa" para hoje.
  • Os problemas não são novos, como se pode ler aqui.

Não sei se os dados estarão todos sobre a mesa. Com a informação disponível, parece-me que este caso é perfeitamente típico daquilo que se passa, por vezes, em grandes meios de comunicação. As administrações, uma vez nomeada a Direcção Editorial, não podem interferir neste domínio. É verdade que o Académico é, actualmente, um "órgão oficial" da AAUM, mas isso não quer dizer que seja "His Master's Voice". Numa academia que preza os valores da liberdade, da cidadania e da responsabilidade, seria possível encontrar uma solução que articulasse as preocupações globais da AAUM e uma linha editorial pautada por critérios jornalísticos e não propagandísticos. Mas isso implicava também que houvesse um estatuto editorial em que ficassem bem definidas as regras e os princípios pelos quais o jornal se pautaria. Se o Académico é para continuar - e a Direcção da AAUM diz que sim - e se quer continuar com a colaboração de estudantes de Comunicação Social essa definição parece-me básica, embora não suficiente.

Do ponto de vista pedagógico, é fundamental continuar a reflectir sobre estes acontecimentos e sobre a experiência que está a ser vivida.

"O homem que mordeu o cão

(pela pertinência relativamente ao estudo dos processos de selecção e hierarquização na produção das notícias, aqui se transcreve o editorial de hoje do director interino do Diário de Notícias)

A frase é conhecida e tem servido de exemplo, pelos bons e pelos maus motivos: «Não é notícia um cão morder um homem; mas se um homem morder um cão isso é notícia». Com esta frase se explica, por vezes, aos estagiários de jornalismo os critérios da escolha do noticiável. Noticiável é o que é novo, surpreendente, que foge à habitualidade. E isto vale para o que acontece, o que se opina, o que espelha, o que é contraditório, o que indigna, o que dá prazer e o que comove - afinal para que um jornal seja o espelho de uma sociedade viva. Um jornal é as pessoas, na sua diversidade, nas suas ânsias, nas suas esperanças, nos seus costumes, culturas, modos e linguagens. Este é o lado bom da utilização da frase-exemplo. Mas há o outro lado. E esse outro está na pergunta que os jornalistas e os media devem, mais e mais, colocar a si próprios e aos leitores: será que nos estamos a aproximar ou a afastar das pessoas? Será que, ao privilegiarmos o surpreendente pelo surpreendente, não tendemos a criar uma sociedade em que os valores e as prioridades principais se confundem com o supérfluo, a essência das coisas com a espuma dos dias? Creio ser chegado o momento de jornalistas e de outros actores reflectirem sobre o modo como servimos o leitor e a comunidade. Confesso que, ao assumir a responsabilidade de servir este jornal, a sua história e os seus leitores, muitas destas perguntas afloraram ao meu cérebro. Sei ser importante noticiar o facto inabitual de «um homem morder um cão». Mas, de tanto repetirmos a receita - e falo dos media em geral -, será que estamos a respeitar as pessoas, na sua necessidade e vontade de viver habitualmente? Será que, tudo somado, notícia a notícia, edição a edição, reflectimos o país real ou um país virtual - visto sobretudo pelo que corre mal, pelo que não alcançamos? Estaremos, por vezes, a contribuir para não nos amarmos como indivíduos, como comunidade? Será que nada temos a ver com a questão da auto-estima e da auto-confiança dos portugueses? Que pensarão os leitores de tudo isto? Quererão eles ajudar-nos a reflectir?"
JOSÉ MANUEL BARROSO

segunda-feira, novembro 22, 2004

3º ano - aulas de substituição

Uma vez que temos brevemente dois feriados à quarta-feira (a 1 e 8 de Dezembro), é necessário substituir as aulas práticas que deveriam ocorrer nesses dias.
Depois de se ter discutido o assunto na última aula prática, ficou combinado que, nos dias 24 de Novembro e 15 de Dezembro, iriam ser leccionadas "aulas duplas". Assim, nesses dias, os dois turnos terão aula em simultâneo, das 14h às 18h. Das 14h às 16h, a aula decorrerá na sala 2204 (como estipulado no horário); das 16h às 18h, será em sala a definir (a 2205 é demasiado pequena para acolher toda a turma).

quinta-feira, novembro 18, 2004

Complementos - 5º ano - Sessões com profissionais

Na sequência do que foi previamente combinado avanço indicações sobre a deslocação à UM de jornalistas convidados para discutir os trabalhos finais:

Segunda-feira (22 Nov) - 10h00 - Alunos que vão estagiar em Imprensa

Quarta-feira (24 Nov) - 10h00 - Alunos que vão estagiar em Rádio

Os alunos que vão estagiar em Televisão devem aguardar mais informações (o jornalista convidado não pode comparecer por motivos profissionais).

domingo, novembro 14, 2004

O estado do jornalismo numa entrevista (doméstica)

Possível leitura: «A concentração pode originar um jornalismo inofensivo e domesticado». Discutível, claro.

quinta-feira, novembro 04, 2004

Treino para jornalistas

Por sugestão do Ponto Media fiquei a saber da existência deste sítio, gerido em colaboração pelo Poynter Institute e pela Knight Foundation, onde existe uma plataforma de e-learning para jornalistas.
Os alunos do 5º ano - já em pré-estágio - talvez sintam interesse em frequentar algumas sessões.

terça-feira, novembro 02, 2004

O acontecimento e a notícia

Está disponível no portal argentino Nombre Falso (dedicado à teoria da comunicação e à sociologia da cultura) um texto de Miquel Rodrigo Alsina, intitulado "La producción de la noticia".
O texto aborda diversos aspectos relacionados com a actividade de producção noticiosa, desde a determinação do que é "acontecimento" até à definição de "notícia":

1. El acontecimiento

2. Determinación del acontecimiento por los mass media

3. Las fuentes periodísticas

4. El trabajo periodístico

5. La organización informativa

6. La profesionalidad periodística

7. La objetividad

8. Las noticias


Este texto é um excerto de "La construcción de la noticia", obra de Miquel Rodrigo Alsina publicada em 1989 pela Paidós (Barcelona), que integra a bibliografia aconselhada para a disciplina de Jornalismo (3º ano).