segunda-feira, abril 28, 2003

Géneros jornalísticos
Prosseguindo os trabalhos das aulas de Jornalismo, iremos abordar nas próximas sessões os géneros jornalísticos: critérios de classificação e seus sentidos; tipologias de textos e respectivas especificidades.
Sugiro, como matéria de apoio, a leitura de alguns textos:

Um texto útil para começar é "GÊNEROS E FORMATOS NA COMUNICAÇÃO MASSIVA PERIODÍSTICA: UM ESTUDO DO JORNAL "FOLHA DE S. PAULO" E DA REVISTA "VEJA", do qual foi coordenador o Prof. José Marques de Melo.
Defendem os autores que "O gênero possui caráter mutável, por ser um instrumento de diálogo entre produtor e receptor. Na medida em que o diálogo avança, as formas de apresentação vão mudando. Trata-se de uma realidade dinâmica".
Passam em análise diferentes propostas de classificação de géneros e propõem também a sua.

- "Desmistificando o velho paradigma - Jornalismo não se divide em OPINIÃO e INFORMAÇÃO", de Manuel Carlos Chaparro, um luso-brasileiro que é professor jubilado da Universidade de Sâo Paulo (Brasil). De facto, trata-se de um capítulo extraído do livro Sotaques d'Aquém e d'Além Mar - Percursos e Gêneros do Jornalismo Português e Brasileiro, Jortejo Edições, Santarém, 1998.
Vejamos como abre a reflexão:
" (..) A importância do Courant, porém, vai além das datas: ganhou fama e lugar na história da imprensa por causa de uma inovação criada por Samuel Buckley, seu diretor. Mesmo que sem tal intenção, Buckley introduziu no jornalismo o conceito da objetividade, tornando-se o primeiro jornalista a preocupar-se com o relato preciso dos fatos, tratando as notícias como notícias, sem comentários. (...) O novo diretor criou uma estratégia e um estilo que influenciariam todo o jornalismo mundial: separou as notícias dos artigos - news em um lado, preponderantes, comments em outro, para não "contaminar" as informações, porque "os leitores são capazes de refletir por eles próprios".
Vale a pena ver no artigo a argumentação do autor que propõe que "o paradigma Opinião x Informação" constitui "um falso paradigma", à luz das evoluções e dimensões actuais do jornalismo.

Em contraponto, observemos as características que o "Manual da Redacção" da "Folha de São Paulo" considera que deve reunir o "texto" jornalístico:
"Um bom texto jornalístico depende, antes de mais nada, de clareza de raciocínio e domínio do idioma. Não há criatividade que possa substituir esses dois requisitos.
Deve ser um texto claro e direto. Deve desenvolver-se por meio de encadeamentos lógicos. Deve ser exato e conciso. Deve estar redigido em nível intermediário, ou seja, utilizar-se das formas mais simples admitidas pela norma culta da língua. Convém que os parágrafos e frases sejam curtos e que cada frase contenha uma só idéia. Verbos e substantivos fortalecem o texto jornalístico, mas adjetivos e advérbios, sobretudo se usados com frequência, tendem a piorá-lo.
O tom dos textos noticiosos deve ser sóbrio e descritivo. Mesmo em situações dramáticas ou cômicas, é essa a melhor maneira de transmitir o fato da emoção. Deve evitar fórmulas desgastadas pelo uso e cultivar a riqueza dos vocábulos acessíveis à média dos leitores.
O autor pode e deve interpretar os fatos, estabelecer analogias e apontar contradições, desde que sustente sua interpretação no próprio texto. Deve abster-se de opinar, exceto em artigo ou crítica".