Não gostaria de instrumentalizar o tema da guerra para a aula de jornalismo, mas não posso deixar de colocar aqui um curto extracto de um texto de Ana Sá Lopes, intitulado "A Barbárie Ocidental", no Público de sábado:
"(...) Um morto em Nova Iorque é diferente de um morto em Bagdad, em Israel ou na Palestina (para não falar de África), o que é facilmente explicado pela influência da teoria da proximidade na percepção das catástrofes - levada ao extremo naquele serão de um conto de Eça de Queiroz, em que do jorro de calamidades relatadas pelo jornal, a única que perturba verdadeiramente a tranquilidade familiar é a notícia de que a vizinha da esquina tinha partido uma perna. O que podem os mortos de Bagdad esperar da comiseração ocidental? Afinal, Bagdad fica nas mil e uma noites, longínqua mistura de tapetes, tiranos e petróleo onde o povo, o que não morrer com os bombardeamentos da coligação anglófona, morrerá facilmente de outra coisa qualquer. (...)"

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