Na aula de hoje, continuaremos a analisar o binómio jornalismo-sociedade, abordando, em jeito de introdução geral, o processo da produção jornalística.
No que algumas correntes sociológicas interaccionistas designam por "mundo da vida", e daquilo que se torna possível captar , há factos, situações, eventos, dados, relações, que adquirem visibilidade ou são deliberadamente trazidos para zonas onde seja mais provável adquirirem visibilidade. Tornam-se, assim, percebidos, apercebidos, recortados, reconhecidos como mais ou menos valiosos.
Da multiplicidade de casos, situações, eventos decorre a necessidade de accionar processos de filtragem e seleccão, orientados por critérios de valoração determinados, que estudaremos mais adiante de forma aprofundada.
A matéria eleita para tratamento e divulgação será ainda objecto de hierarquização e ordenação, quer ao nível da produção de cada peça individual, quer na organização, ordenação e destaque que o conjunto da matéria (de uma edição) necessariamente sofrerá.
Idênticos processos de visibilidade-percepção, de selecção e de hierarquização ocorrem ao nível da recepção da produção jornalística, por parte de leitores, ouvintes, telespectadores.
Um aspecto importante, correlativo das escolhas e destaques a que o jornalismo necessariamente procede, é o que se prende com o "não-dito" dos media, ou seja, todo o vasto mundo daquilo que é votado ao esquecimento, que é silenciado, censurado ou simplesmente secundarizado. Em certo sentido, poder-se-ia dizer que "o dito" só se pode verdadeiramente compreender na relação com "o não-dito".

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