segunda-feira, dezembro 09, 2002

No portal brasileiro Comunique-se, através do qual se viaja apenas por assinatura (grátis), veio há dias publicada a recensão de um livro intitulado “O Jornalismo é um Humanismo – representações sociais dos estudantes de Comunicação”. O livro é do professor universitário e jornalista Victor Folquening, do Pará; o texto sobre o livro é de Bia Moraes, de Curitiba. Folquening, que estuda a relação entre o conteúdo dos cursos de Comunicação e a realidade do mercado que os recém-formados vão enfrentar, identificou nos caloiros de Jornalismo, e nas palavras de Bia Moraes, "uma espécie de idealismo que não se encontra mais em outras áreas de graduação". E cita o autor do livro: “Mesmo com pouca noção do mercado, os alunos que prestam vestibular de Comunicação têm o propósito de abraçar uma carreira que vai ‘mudar o mundo’, como eles dizem. Ao longo do curso, vão se decepcionando, e no final, o que vemos são recém-formados de microfone na mão, dominando técnicas, porém pessimistas, simplesmente desesperados atrás de um emprego”.
São ainda palavras de Folquening: “As faculdades estão cada vez mais preocupadas com o tecnicismo da profissão e preenchendo pouco conteúdos humanistas que são essenciais na formação de um jornalista. (...) Percebi que na verdade é esse tipo de conteúdo que os alunos esperam encontrar quando entram no curso, mas encontram outra coisa e acabam acreditando que o jornalismo é apenas mais uma profissão. Perdem aquela idéia inicial de que somos responsáveis pela informação e consequentemente pela formação de uma sociedade melhor”.
E aqui no nosso curso? Em Portugal a realidade é diversa? E no Minho? Era interessante debater o assunto.