terça-feira, abril 29, 2003

A componente oral da avaliação na disciplina de Jornalismo decorrerá a 11 e 12 de Junho e não na data inicialmente marcada. O motivo, apresentado pelo Hugo Real, delegado da Turma, prende-se com uma troca com a disciplina de Sociologia da Comunicação. Anotem, por favor, nas vossas agendas. Oportunamente será afixado o mapa com a ordenação dos alunos.

Os III Encontros de Viana – Cinema e Vídeo vão decorrer em Viana do Castelo de 5 a 11 de Maio
As actividades dos Encontros irão dividir-se pelas áreas da exibição, workshops, divulgação e debates sobre cinema.
Os estudantes têm alojamento gratuito na pousada de juventude de Viana no fim-de-semana que encerra os encontros, pelo que, se houver alguém interessado, deve contactar a organização com alguma antecedência. A informação foi obtida junto de um colaborador desta iniciativa.

Na área da exibição, os III Encontros apresentam a programação distribuída por 7 ciclos, que correspondem a 50 sessões de cinema:

· Cinema Infantil:
para as escolas do ensino pré-primário – todos os dias, de 05 a 09 de Maio, duas sessões de Socorro, Sou um Peixe, de Stefan Fjelmark e Michael Hegner, às 9.00 e às 11.00h, no Cinema Verde Viana.

para as escolas do ensino básico – todos os dias, de 05 a 09 de Maio, duas sessões do filme A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki, às 9.00 e às 11.00h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.

para o público em geral – Sábado e Domingo, às 11.00h, no Cinema Verde Viana.
- Dia 10 - Peter Pan em A Terra do Nunca, de Robin Budd e Donovan Cook
- Dia 11 - O Planeta do Tesouro, de John Musker e Ron Clements

· Ciclo Diferenças – sobre a temática da deficiência, aberto ao público em geral, mas direccionado para os estudantes do ensino secundário; às 14.30h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
- Dia 05 – Uma Mente Brilhante, de Ron Howard
- Dia 06 – Dancer in the Dark, de Lars Von Trier
- Dia 07 – O Oitavo Dia, de Jaco Van Dormael
No Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos Estaleiros Navais:
- Dia 06 - O País dos Surdos, de Nicolas Philibert
- Dia 09 - O Mínimo, de Nicolas Philibert

· Ciclo Aprender a Vida – aberto ao público em geral, mas também em especial para os estudantes do ensino secundário, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
- Dia 08 de Maio, às 14.30h - A Bicicleta de Pequim, de Wang Xiaoshuai
- Dia 09 de Maio, às 14.30h - Os Rapazes Regressam, de Takeshi Kitano
- Dia 09 de Maio, às 17.30h - A Promessa, de Luc e Jean-Pierre Dardenne

· Ciclo de Cinema Europeu – para o público em geral. O Ciclo de Cinema Europeu é nesta edição dos Encontros dedicado ao realizador finlandês Aki Kaurismaki; às 17.30h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
- Dia 05 – Contratei um Assassino, de Aki Kaurismaki
- Dia 06 – Nuvens Passageiras, de Aki Kaurismaki
- Dia 07 – Juha, de Aki Kaurismaki
- Dia 08 – O Homem sem Passado, de Aki kaurismaki

· Ciclo Óscares – exibição de filmes nomeados e premiados na última edição; às 21.30h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
- Dia 05 – O Pianista, de Roman Polanski
- Dia 06 – Caminho para Perdição, de Sam Mendes
- Dia 07 – Inadaptado, de Spike Jonze
- Dia 08 – Chicago, de Rob Marshall
- Dia 09 – O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, de Peter Jackson
- Dia 10 – Fala com Ela, de Pedro Almodóvar
- Dia 11 – As Horas, de Stephen Daldry

· Ciclo Cinema Fantástico – para o público em geral; às 24.00h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
- Dia 05 – 28 Dias Depois, de Danny Boyle
- Dia 06 – Jeepers Creepers, de Victor Salva
- Dia 07 – Cubo 2, de Andrzej Sekula
- Dia 08 – Vidocq, de Pitof
- Dia 09 – Nas Costas do Diabo, de Guillermo del Toro
- Dia 10 – O Aviso, de Gore Verbinski
- Dia 11 – Pacto dos Lobos, de Christophe Gans

· Ciclo Nicolas Philibert – apresenta documentários deste consagrado realizador, destinado ao público em geral; às 21.45h, no Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
- Dia 05 – A Cidade Louvre, de Nicolas Philibert
- Dia 06 – O País dos Surdos, de Nicolas Philibert
- Dia 07 – Um Animal, Animais, de Nicolas Philibert
- Dia 09 – O Mínimo, de Nicolas Philibert
No Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos Estaleiros Navais:
- Dia 10 - Ser e Estar, de Nicolas Philibert

Acresce ainda a exibição de :

· Bowling for Colombine, de Michael Moore e de A Morte do Cinema, de Pedro Sena Nunes, no dia 08 de Maio, às 21.45h, no Cinema Verde Viana;

· trabalhos realizados pelos alunos que participaram nas Histórias na Praça dos II e III Encontros de Viana-Cinema e Vídeo, no dia 09 de Maio, às 14.30h, no Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo;

· exercícios fílmicos da Escola de Cinema da Finlândia, inserida na secção Olhares Frontais, do dia 10 de Maio, das 10.45 às 13.00h, no Teatro Municipal Sá de Miranda;

· documentários de autores portugueses, das 15.00 às 16.30h e do documentário Ser e Estar, de Nicolas Philibert, às 17.00h, também integrados nos Olhares Frontais do dia 10, no Teatro Sá de Miranda (ver programação).

· trabalhos dos Ateliers Varan (França), apresentados por um representante desta reconhecida escola, no dia 11 de Maio, das 10.00 às 12.30h, no Teatro Municipal Sá de Miranda;

· dos documentários En construcción, de José Luís Guerín, Entre Muros, de José Filipe Costa e João Ribeiro e de Moleque de Rua de Joaquim Pinto, também inseridos na secção Olhares Frontais da 3ª edição dos Encontros de Viana-Cinema e Vídeo; das 14.30 às 18.15h, no Teatro Municipal Sá de Miranda.

Na área dos workshops, os III Encontros de Viana - Cinema e Vídeo promovem quatro acções:

· Curso Iniciação ao Vídeo – Olhar o Real – De 28 a 26 de Julho de 2003, no qual se pretende dotar os formandos de conhecimentos da linguagem audiovisual, principalmente do vídeo enquanto suporte específico e de conhecimentos técnicos que permitam o planeamento, a organização e a construção de uma narrativa audiovisual, concluindo o curso com a elaboração individual de um documentário. Este ano os formadores serão João Alberto Vilaça e Pedro Sena Nunes.

· Histórias na Praça – a decorrer de 05 a 09 de Maio, onde turmas das escolas secundárias do concelho poderão experimentar o meio audiovisual, pondo em curso ideias próprias sob a orientação de Pedro Sena Nunes e com uma equipa técnica da Ao Norte. No realizar de cada projecto, os alunos receberão orientação para concretizarem a proposta que querem filmar.

· “Desafio, experiência, pedagogia” – acção a decorrer na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, na qual os professores e futuros professores poderão aperceber-se das possibilidades pedagógicas do audiovisual, orientada por Ângelo Peres.

· Registo de Som Directo – workshop que será ministrado por Joaquim Pinto e que se destina ao aperfeiçoamento dos conhecimentos técnicos adquiridos em edições passadas do curso de iniciação Olhar o Real.

O debate sobre cinema terá lugar na secção Olhares Frontais. Durante o fim-de-semana (10 e 11 de Maio), no Teatro Municipal Sá de Miranda, serão exibidos os primeiros trabalhos da Oficina de Cinema da Associação Ao Norte, exercícios da Escola de Cinema da Finlândia, trabalhos dos Ateliers Varan e vários documentários portugueses e estrangeiros. As diversas sessões serão comentadas por, entre outros, Manuela Penafria, Ângelo Peres, João Mariano, Pedro Sena Nunes e Joaquim Pinto, um representante da escola finlandesa e um representante dos Ateliers Varan. (ver programa específico)

No âmbito da divulgação, os Encontros têm previstas quatro exposições. “Lubitel Diaries”, de João Mariano, em torno das Histórias da Praça de há um ano; outra de pintura, da autoria de Pinto Meira, reproduzindo cartazes de clássicos do cinema, a terem lugar nas instalações do Instituto Português da Juventude; Cine-Teatros de Portugal, de Jochen Dietrich e “WhateverWhereverHoweverForeverLOMO”, colectiva Lomo, nos Antigos Paços do Concelho (piso térreo e 1º andar). Ainda no âmbito da divulgação, decorrerá no Salão Nobre do Teatro Municipal Sá de Miranda uma Feira do Livro de Cinema, a qual estará aberta ao público de 2ª a 6ª, das 14.00 às 22.30h e das 10.00 às 22.30h durante o fim-de-semana.

segunda-feira, abril 28, 2003

Géneros jornalísticos
Prosseguindo os trabalhos das aulas de Jornalismo, iremos abordar nas próximas sessões os géneros jornalísticos: critérios de classificação e seus sentidos; tipologias de textos e respectivas especificidades.
Sugiro, como matéria de apoio, a leitura de alguns textos:

Um texto útil para começar é "GÊNEROS E FORMATOS NA COMUNICAÇÃO MASSIVA PERIODÍSTICA: UM ESTUDO DO JORNAL "FOLHA DE S. PAULO" E DA REVISTA "VEJA", do qual foi coordenador o Prof. José Marques de Melo.
Defendem os autores que "O gênero possui caráter mutável, por ser um instrumento de diálogo entre produtor e receptor. Na medida em que o diálogo avança, as formas de apresentação vão mudando. Trata-se de uma realidade dinâmica".
Passam em análise diferentes propostas de classificação de géneros e propõem também a sua.

- "Desmistificando o velho paradigma - Jornalismo não se divide em OPINIÃO e INFORMAÇÃO", de Manuel Carlos Chaparro, um luso-brasileiro que é professor jubilado da Universidade de Sâo Paulo (Brasil). De facto, trata-se de um capítulo extraído do livro Sotaques d'Aquém e d'Além Mar - Percursos e Gêneros do Jornalismo Português e Brasileiro, Jortejo Edições, Santarém, 1998.
Vejamos como abre a reflexão:
" (..) A importância do Courant, porém, vai além das datas: ganhou fama e lugar na história da imprensa por causa de uma inovação criada por Samuel Buckley, seu diretor. Mesmo que sem tal intenção, Buckley introduziu no jornalismo o conceito da objetividade, tornando-se o primeiro jornalista a preocupar-se com o relato preciso dos fatos, tratando as notícias como notícias, sem comentários. (...) O novo diretor criou uma estratégia e um estilo que influenciariam todo o jornalismo mundial: separou as notícias dos artigos - news em um lado, preponderantes, comments em outro, para não "contaminar" as informações, porque "os leitores são capazes de refletir por eles próprios".
Vale a pena ver no artigo a argumentação do autor que propõe que "o paradigma Opinião x Informação" constitui "um falso paradigma", à luz das evoluções e dimensões actuais do jornalismo.

Em contraponto, observemos as características que o "Manual da Redacção" da "Folha de São Paulo" considera que deve reunir o "texto" jornalístico:
"Um bom texto jornalístico depende, antes de mais nada, de clareza de raciocínio e domínio do idioma. Não há criatividade que possa substituir esses dois requisitos.
Deve ser um texto claro e direto. Deve desenvolver-se por meio de encadeamentos lógicos. Deve ser exato e conciso. Deve estar redigido em nível intermediário, ou seja, utilizar-se das formas mais simples admitidas pela norma culta da língua. Convém que os parágrafos e frases sejam curtos e que cada frase contenha uma só idéia. Verbos e substantivos fortalecem o texto jornalístico, mas adjetivos e advérbios, sobretudo se usados com frequência, tendem a piorá-lo.
O tom dos textos noticiosos deve ser sóbrio e descritivo. Mesmo em situações dramáticas ou cômicas, é essa a melhor maneira de transmitir o fato da emoção. Deve evitar fórmulas desgastadas pelo uso e cultivar a riqueza dos vocábulos acessíveis à média dos leitores.
O autor pode e deve interpretar os fatos, estabelecer analogias e apontar contradições, desde que sustente sua interpretação no próprio texto. Deve abster-se de opinar, exceto em artigo ou crítica".

A Provedora do Leitor do DN, Estrela Serrano, analisa, na edição de hoje, um caso de manipulação de resultados de sondagem na primeira página daquele diário.
O caso ocorreu em 28 de Março passado. Nesse dia, o título da chamada na primeira página era: "Cavaco em ascensão". Um pouco abaixo, via-se uma fotografia de Cavaco Silva e, em letras gordas, «30%», seguida de outra, de Ferro Rodrigues, e «-2%». Só que as percentagens destacadas referiam-se a perguntas diversas: uma sobre eleições presidenciais e outra sobre actuação de líderes partidários.
Comentários de Estrela Serrano:
"Ao associar as fotos dos dois protagonistas e os valores obtidos por cada um em contextos absolutamente distintos, a primeira página do DN induziu os leitores em erro. De facto, apesar de a não ter feito abertamente, a comparação entre ambos tornou-se, contudo, implícita. Deu a entender sem incorrer na responsabilidade de ter dito.
"No interior do jornal, quer os títulos, quer os textos estão de acordo com os resultados mostrados nos quadros. A manipulação dos dados verificou-se, apenas, na primeira página, o que é grave, dada a importância de que se reveste a informação surgida nesse local, para mais acompanhada das fotografias dos dois protagonistas".
Desta vez, a Direcção do DN ou outro responsável editorial não fazem comentários sobre este assunto.

domingo, abril 27, 2003

Sobre o modo de fazer os títulos na imprensa, o provedor do leitor de "La Vanguardia", Josep Maria Casasús, publica hoje um texto ("Algunos titulares son demasiado enigmáticos"), de que transcrevo um excerto:

" (...) Lo cierto es que el periodismo moderno nos habituó a los títulos explicativos, descriptivos, explícitos. En consecuencia, sorprenden aún los títulos intencionados, irónicos o sugerentes, basados en metáforas, metonimias u otras figuras retóricas.
La historia de los titulares de prensa es una historia de sorpresas. Hoy nos sorprendería, por ejemplo, que las crónicas de los periodistas enviados a Iraq se titularan igual todos los días con una sola palabra de mero trámite. Eso era normal, sin embargo, en la prensa del siglo XIX. Expongo un caso: las dieciocho crónicas que publicó Víctor Balaguer en 1859 como enviado del diario “El Telégrafo” a la guerra italo-austriaca llevaban todas este título: “Correspondencia”, sin más. Las redacciones de los diarios no asumían aún la función de valorar y sintetizar que ha caracterizado al acto profesional de titular en la prensa de la modernidad.
En el periodismo actual concurren, en cambio, diversos estilos de titulación: el informativo, el interpretativo y el sugerente. Cada estilo corresponde a distintos géneros periodísticos. Pero cada estilo tiene sus reglas. El estilo sugerente admite títulos como el de “Gaycelona”. El estilo informativo exige, en cambio, un extremado rigor (...)".

O futuro da formação em jornalismo é uma questão que continua na ordem do dia. Se o jornalismo sofre uma crise complexa - de perda de qualidade, mas também de busca de caminhos inovadores - a formação não poderia deixar de ser igualmente questionada. A prestigiada Graduate School of Journalism da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, tem vivido um intenso processo de reflexão sobre a sua identidade e sobre o seu futuro, desde meados de 2002. O presidente da Universidade acaba de publicar mais um contributo para essa reflexão, num texto que se intitula "Statement on the Future of Journalism Education". Valeria a pena suscitar a discussão em torno do texto, uma vez que, no essencial, as questões ali equacionadas não nos são, no essencial, estranhas.

quinta-feira, abril 03, 2003

O ContraFactos dá-nos hoje uma boa "Vitamedia": a transcrição das manchetes dos jornais Público, Diário de Notícias, Washington Post e El País dos últimos 15 dias, ou seja, desde o começo da guerra. Um documento interessante e útil. Comentário de Pedro F., no final da listagem: "Por vezes, nem parece que estão a escrever sobre a mesma guerra...". Et pour cause!