Sobre a teoria do agenda-setting: dois textos de apoio
Duas leituras que ajudam a reflectir sobre os pressupostos da teoria:
- 1. Alegoria da Caverna, de Platão, que vem na República, cap. VII (ler o texto: aqui)
- 2. Introdução ao livro Public Opinion, de Walter Lippmann, de 1922, intitulada "The World outside and the pictures in our heads". Eis uma tradução adptada:
"Há uma ilha no meio do oceano onde, em 1914, habitavam alguns ingleses, franceses e alemães. Não existia qualquer cabo de comunicações que chegasse a esse sítio e o barco-correio a vapor britânico aportava ali apenas de 60 em 60 dias. Em Setembro desse ano ainda não tinha vindo e os habitantes continuavam a conversar entre si acerca do último jornal que tinham recebido, que abordava a aproximação do julgamento de Madame Caillaux por ter abatido a tiro Gaston Calmette. Era, assim, com uma grande e especial sede de notícias, que a colónia se juntou no cais, num dia de meados de Setembro para saber do capitão qual tinha sido a sentença. Aquilo que vieram, porém a saber foi que há mais de seis semanas os que ali estavam que eram ingleses e os que eram franceses tinham entrado em guerra contra os alemães, por causa dos tratados que tinham assinado. Durante seis estranhas semanas tinham agido como se fossem amigos, quando de facto eram inimigos.
Mas a sua desventura não era, afinal, muito diversa da maior parte da população da Europa. Enquanto que o seu erro tinha sido de seis semanas, no continente o intervalo havia sido de seis dias ou seis horas. (...) Houve um momento em que o retrato da Europa segundo o qual as pessoas continuaram a levar a sua vida como era costume não tinha correspondência com aquilo que iria provocar uma reviravolta nas suas vidas. Tinha havido um tempo para cada homem em que ele se ajustava a um meio-ambiente que já não existia. Em todo o mundo, e até ao dia 25 de Julho anterior, as pessoas tinham andado a produzir mercadorias que não seriam capazes de vender, a comprar bens que não conseguiriam importar, a planear trajectórias e empreendimentos, a alimentar esperanças e expectativas - todos na convicção de que o mundo conhecido era o mundo real. (...) Quatro anos depois aconteceu algo de semelhante, quando foi assinado o armistício. Até ele ser sido conhecido e tornado efectivo, muitos milhares de jovens morreram ainda no campo de batalha, actuando como se a guerra se mantivesse efectiva. (...)
Olhando retrospectivamente, podemos constatar quão indirectamente conhecemos o meio no qual, contudo, habitamos. Podemos ver que as notícias que dele temos nos chegam ora rápida ora lentamente: porém, aquilo que acreditamos ser o verdadeiro retrato da situação é tomado como a própria situação".

4 Comments:
A "Alegoria da Caverna" espelha de uma forma perfeitamente ilucidativa a relação entre o jornalismo, o conhecimento e a o seu receptor.A sede de um raiozinho de sol, após tantos anos na penunmbra, faz com que a saída da caverna confunda os sentidos.
A luz e a sombra conjugam-se na definição de leitor, de telespectador e de ouvinte.
Um tema muito interessante, de facto.
Um bom exemplo disso é jenin.
Em 2002 a imprensa europeia deu a entender que havia um massacre em Jenin.
As manifestações abalaram a Europa.
Era tudo sombra.
Afinal não havia massacre nenhum.
as sombras na caverna já não tinham relação nenhuma com a realidade.
Como eu costumo dizer o jornalismo muito vezes reflecte o preconceito do jornalista.
No caso como a generalidade dos jornalistas são pro palestinos acreditaram logo nas alegações palestinas e começaram a gritar massacre quando não tinha ocorrido massacre nenhum.
Agenda Setting Theory
the creation of what the public thinks is important
History and Orientation
Agenda setting describes a very powerful influence of the media ? the ability to tell us what issues are important. As far back as 1922, the newspaper columnist Walter Lippman was concerned that the media had the power to present images to the public. McCombs and Shaw investigated presidential campaigns in 1968, 1972 and 1976. In the research done in 1968 they focused on two elements: awareness and information. Investigating the agenda-setting function of the mass media, they attempted to assess the relationship between what voters in one community said were important issues and the actual content of the media messages used during the campaign. McCombs and Shaw concluded that the mass media exerted a significant influence on what voters considered to be the major issues of the campaign.
Core Assumptions and Statements
Core: Agenda-setting is the creation of public awareness and concern of salient issues by the news media. Two basis assumptions underlie most research on agenda-setting: (1) the press and the media do not reflect reality; they filter and shape it; (2) media concentration on a few issues and subjects leads the public to perceive those issues as more important than other issues. One of the most critical aspects in the concept of an agenda-setting role of mass communication is the time frame for this phenomenon. In addition, different media have different agenda-setting potential. Agenda-setting theory seems quite appropriate to help us understand the pervasive role of the media (for example on political communication systems).
Statement: Bernard Cohen (1963) stated: ?The press may not be successful much of the time in telling people what to think, but it is stunningly successful in telling its readers what to think about.?
O texto anterior provém do seguinte site:
http://www.tcw.utwente.nl/theorieenoverzicht/Theory%20clusters/Mass%20Media/Agenda-Setting_Theory.doc/
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