segunda-feira, janeiro 23, 2006

II Turno das aulas práticas de Jornalismo do 3.º ano

Na próxima quarta-feira, dia 25 de Janeiro, não vou poder estar na Universidade do Minho no horário normal de atendimento (14h00-16h00). Peço que me mandem um e-mail (luisateresaribeiro@sapo.pt) se precisarem de falar comigo. Obrigada.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Reportagens TV - conselhos simples


O original espaço de televisão criado pelo antigo vice-presidente norte-americano, Al Gore, a Current TV, tem uma área inteiramente dedicada a conselhos práticos para repórteres em início de actividade - narrativa audiovisual, equipamento, como fazer (som, imagem, iluminação), edição e compressão.
Há ainda uma ligação para relatos de experiências de repórteres.
Tudo muito simples e muito bem concebido para a net.
Vale a pena visitar.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Cáceres Monteiro
Morreu o enviado especial que também gostava da redacção

João Manuel Rocha, Público, 4.1.2006

Os textos de imprensa e os livros criaram-lhe a imagem de repórter, mas considerava-se,antes de mais, um jornalista "de banca", que gostava de "fazer sair as edições". O director fundador da revista Visão morreu ontem, aos 57 anos.
Quando o chefe de redacção da revista Flama lhe perguntou se queria ir fazer a reportagem aos Jogos Olímpicos do México, disse que não podia, que tinha exames de segunda época na faculdade. Só a insistência o convenceu: "Veja bem, faz os exames noutra altura, vai conhecer o México, pára em Nova Iorque, se quiser..." Foi a primeira viagem profissional do jornalista Carlos Cáceres Monteiro, ex-director da Visão, falecido ontem aos 57 anos, em Lisboa.
Essa primeira viagem em trabalho, no Verão de 1968, determinou a vida profissional de um dos mais viajados repórteres portugueses. "Eu mordi a maçã, foi decisivo. Apanhei logo ali o bichinho do jornalismo", disse numa entrevista dada em 2004 ao Diário de Notícias (DN), na qual recordou o episódio e a insistência de Manuel Beça Múrias, o chefe que depois acompanhou no semanário O Jornal, antecessor da Visão.
Nascido a 9 de Agosto de 1948, Cáceres Monteiro, hospitalizado há três semanas no Hospital Egas Moniz com problemas renais, começara no jornalismo "por brincadeira", quando estudava na Faculdade de Direito da Universidade Lisboa. A ida ao México afastou-o de vez da advocacia. Afinal, ainda no liceu, fora seduzido pelos jornais escritos à mão, à máquina ou policopiados.Como repórter cobriu alguns dos mais importantes conflitos das últimas décadas: as guerras de Angola, Golfo Pérsico, Israel e Palestina, América Latina e Camboja. Repórter destacado para quase todos os cantos do mundo, confessava-se adepto do trabalho de redacção. "Antes de mais sou um jornalista de banca, gosto da chefia e de fazer sair as edições."
O trajecto profissional levou-o da Flama ao Século Ilustrado. Depois foi subchefe de redacção de A Capital, editor de política do DN, correspondente da revista espanhola Câmbio 16 e director do semanário de espectáculos Se7e. Co-fundador de O Jornal, em 1975, onde foi director adjunto, é director fundador da Visão, que liderou até Junho do ano passado, quando passou a director editorial da Edimpresa, holding do grupo Imprensa para as revistas.
Presidente do Sindicato dos Jornalistas entre 1977 e 1980, Cáceres Monteiro esteve nessa qualidade ligado às primeiras leis que, depois do 25 de Abril, regulam o exercício do jornalismo em Portugal. É nos seus dois mandatos que a entidade sindical cria uma comissão de acompanhamento do processo de criação do primeiro curso superior de Comunicação Social, na Universidade Nova de Lisboa.
Foi distinguido com o Prémio Gazeta 1985, atribuído pelo Clube de Jornalistas pelos trabalhos que fez na China. Recebeu também o Prémio de Jornalismo de 2001 do Clube Português de Imprensa. Foi comentador regular na RTP, na TSF (de que O Jornal era societário), na Antena 1 e na SIC Notícias.
Em Hotel Babilónia, editado em 2004, que atravessa países, continentes e geografias diversas, o "repórter-viajante-aventureiro", como o PÚBLICO lhe chamou então, reúne histórias e relatos de 30 anos e de mais de meia centena de países. "Quero caçar as atmosferas, antes que elas desapareçam completamente. Guardar a memória dos lugares antes que fique tudo igual", dizia numa entrevista em que confidenciou projectos que não chegou a concretizar: fazer uma grande viagem na Índia, escrever crónicas de viagem do Sul da China.
Na mesma entrevista ao PÚBLICO manifestava o desejo de continuar a ser repórter, "já não para enviar crónicas diárias ou semanais, mas para as contar em livros, num género entre o jornalismo e a literatura de viagens". Foi, em 1984-1985, com Mário Soares como primeiro-ministro, director-geral da Comunicação Social. Mas o jornalismo era o seu meio e rapidamente voltou às redacções e às viagens. "Acredito na humanidade e no jornalismo como missão de vida. Com todos os erros, acho que, se exercermos bem a nossa profissão, podemos lutar por boas causas", afirmava também na citada entrevista de 2004 ao DN.(...)