domingo, junho 29, 2003

A cobertura da "Marcha do Orgulho Gay": algumas notas

Há muito que sabemos que a análise comparativa dos media constitui uma fonte de descobertas. As escolhas, os destaques, os modos de apresentação, os discursos, etc, são portas que podem ser transpostas nessa análise. Veja-se, a título de exemplo, o tratamento jornalístico da Marcha do Orgulho Gay, ontem realizada em Lisboa, a partir apenas de um aspecto muito específico: a dimensão da manifestação:

Diário de Notícias: «Tentar desfazer a associação do escândalo da Casa Pia, no que toca ao abuso sexual de menores» foi o objectivo principal que concentrou mais de 2000 manifestantes, segundo Sérgio Vitorino, da organização."

Correio da Manhã - " (...) com eles perto de mil pessoas integraram a 4.ª Marcha do Orgulho Gay, festa que imprimiu à principal artéria de Lisboa um colorido e alegria que hoje tem continuidade junto à Torre de Belém, na “Lisboa Parade”."

Jornal de Notícias: "Sem a presença do ambiente carnavalesco que normalmente é associado às festas "gay", a manifestação acabou por ficar muito aquém do esperado pelos organizados. No ano passado, por exemplo, estiveram presentes duas mil pessoas, número que ontem esteve muito longe de ser igualado."

Público: "Tal como Joana, mais de uma centena de pessoas decidiram descer a Avenida, um pouco como se fez por todo o mundo para comemorar o dia internacional do orgulho e da libertação de lésbicas, "gays", bissexuais e "trangender" (LGBT).

Algumas notas telegráficas: 1) Entre "mais de cem" e "mais de 2000" vai uma distância que é impossível que um jornalista medianamente dotado que tenha estado no local não fosse capaz de ver à vista desarmada (se calhar este é que é o problema!); 2) O DN, que é o jornal que dá a notícia mais pequena (embora com fotos), é o que coloca o número de manifestantes maior; 3) É interessante verificar o número sugerido pelo Público - "mais de cem" - e o investimento na cobertura: equipa com repórter e repórter fotográfico (mesmo aceitando que não pode haver uma relação directa de correspondência entre relevância jornalística de um acontecimento e número de "actores" envolvidos); 4) Última nota: não é politicamente correcto procurar ser-se crítico nestas matérias, como se tem visto nas últimas semanas.

quinta-feira, junho 05, 2003

Algumas informações importantes relativas à avaliação:
- Já foi publicada a planificação das provas orais. Consultem-na, para saberem em que dia e hora deverão "apresentar-se". Quem não se inscreveu deverá fazê-lo com a máxima urgência (no gabinete da docente Sandra Marinho).
- Relativamente aos Portfolios, recordamos que os documentos apresentados devem ser os "originais". Quanto aos trabalhos publicados em órgãos de comunicação (os extracurriculares), entende-se por "original" uma cópia da página do respectivo jornal ou uma gravação do programa de rádio. Relativamente aos trabalhos publicados no weblog, deverão imprimir os posts. No caso dos trabalhos realizados nas aulas (os curriculares), entende-se por "originais" os exercícios feitos nas aulas (ou em casa), com as respectivas correcções e anotações (nossas e vossas). Os documentos que não cumpram estes critérios não serão considerados na avaliação.
Recordamos também que todas estas recomendações foram transmitidas no início do ano lectivo, quando foi discutido o plano de avaliação, e repetidas em várias outras ocasiões. Isto é só um lembrete!
Resta-nos desejar-vos que as próximas semanas sejam uma boa jornada de trabalho, para esta e todas as outras disciplinas!
Sandra Marinho e Manuel Pinto